A permanente inconstância
Terça-feira, 13 de Março de 2012
Domingo, 26 de Fevereiro de 2012
O começo do fim
Sai da dentista, de dente arrancado, gengiva a latejar, bochecha inchada e cabeça tonta e durante o caminho de regresso a casa, só me apetecia rir. Não ri apenas sorri, envergonhada, com medo que os outros com quem me fui cruzando pelas ruas me achassem louca mas sorri com uma alegria renovada porque este dente usado, velho, desvitalizado, esta minha parte inútil arrancada significa o começo do fim.
Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012
Só me faltava mais esta!
Descobri que afinal quero o que pensei não querer. Agora só me falta descobrir como o conseguir...
Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011
À caça de problemas
Dei por mim à caça de problemas. Resumiu-se, no final, a um sorriso tímido e a um aceno de mão à distância. Pelos vistos nem para isso presto. Apesar disso, o esforço serviu para que o meu coração se aperceba que ainda bate, e às vezes, bem forte. Mas é pouco, muito pouco.
Segunda-feira, 3 de Outubro de 2011
Plano B
Ter lido a brochura da S.S. http://www2.seg-social.pt/preview_documentos.asp?r=23291&m=PDF, não me tranquilizou. De facto não encontrei nada que dissesse que trabalhadores independentes não podem adoptar mas vendo as coisas claramente, qual é o Estado que entrega uma criança a alguém que, hoje tem trabalho e amanhã pode não ter?
O plano B é o óbvio para o comum dos mortais: engravidar. Claro que foge completamente à ideia inicial, que era impedir trazer mais um ser a este mundo mas em termos legais seria facílimo. Aqui entra o pânico, nas suas mais diversas formas, que a adopção eliminaria: a paralisia cerebral, o autismo, doenças genéticas recessivas... já estou a ouvir as pessoas a dizer-me que não posso pensar nisso. É fácil falar quando acontece aos outros.
O plano B é o óbvio para o comum dos mortais: engravidar. Claro que foge completamente à ideia inicial, que era impedir trazer mais um ser a este mundo mas em termos legais seria facílimo. Aqui entra o pânico, nas suas mais diversas formas, que a adopção eliminaria: a paralisia cerebral, o autismo, doenças genéticas recessivas... já estou a ouvir as pessoas a dizer-me que não posso pensar nisso. É fácil falar quando acontece aos outros.
Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011
Dia das vacinas anuais
Demorei uma eternidade a meter o Simão na mala de transporte e quando terminei suava em bica. O Tobias já tinha entrado voluntariamente na dele e enquanto eu andava de vassoura na mão, a tentar tirar o outro debaixo da minha cama encolhido de medo, dava cambalhotas lá dentro.
O Simão miou aflitivamente o caminho todo, de um modo tão estranho que parecia uma criança a chorar e tão alto que a nova veterinária pensou que ia ali uma fera. Encostou o focinho na anca da auxiliar, num pânico que deixou a mesa com as marcas em suor das patas dele, e a veterinária fez dele o que quis. Só estremeceu e miou quando a agulha entrou na pele.
O Tobias percorreu o caminho silenciosamente e não se deu por ele até entrar no consultório e sair da mala de transporte. Assim que se sentiu solto fiscalizou todo o espaço, cheirou tudo, saltou para cima dos móveis, deu marradinhas na auxiilar, na veterinária e em mim, e foi difícil verificar o batimento cardíaco porque ronronava tão alto, que este som o abafava.
Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011
Desesperança
Levanto-me sem vontade de o fazer, arrasto os pés o dia inteiro. Há trabalho para fazer, uma aparente normalidade a manter. Afinal, os outros não têm culpa que os meus sonhos não passem exactamente disso, de sonhos.
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